Instituições italianas apoiam luta contra Exploração Sexual no Contexto do Turismo

Em 2011, ano em que se comemorou o Momento Itália/Brasil, o projeto ViraVida, iniciativa do Conselho Nacional do Serviço Social da Indústria (SESI) para capacitação e inserção de jovens vítimas de exploração sexual no mercado de trabalho, ganhou o apoio de importantes instituições italianas que se comprometeram a participar de ações para discussão e combate à exploração sexual de crianças e adolescentes, a partir do próximo ano.

O presidente do Conselho Nacional do SESI, Jair Meneguelli, reuniu-se com instituições públicas, não-governamentais e organizações do movimento sindical italiano, nas cidades de Milão, Turim e Roma, para pedir apoio ao enfrentamento à exploração sexual infantojuvenil no Brasil. Os encontros contaram com a participação da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e da Força Sindical.

A comitiva brasileira reforçou a necessidade das instituições atuarem no combate ao Turismo Sexual, realizando campanhas de sensibilização sobre o tema para a população, em especial para a classe trabalhadora, um dos públicos que mais fortalecem as redes internacionais de exploração sexual. As entidades se propuseram a apoiar institucionalmente o projeto ViraVida contribuindo para o reconhecimento internacional da iniciativa e colaborando para a empregabilidade dos jovens atendidos pelo programa, por meio da articulação junto às multinacionais que atuam no Brasil.

O Secretário de Políticas Sociais da CUT, Expedito Solaney, destacou a importância das instituições sindicais trabalharem juntas e incluírem o tema na pauta dos trabalhadores. “Nossa luta não é apenas por salários e condições de trabalho. Lutamos também pela construção de uma sociedade mais humana e acreditamos que o movimento sindical da Itália pode nos ajudar a levar esse tema para os trabalhadores”.

O diretor da Força Sindical, Rogério Aquino, reforçou a ideia de que o turismo no Brasil deve ser desenvolvido de uma forma positiva, destacando as riquezas naturais e culturais do país. Aquino ressaltou que a discussão das temáticas voltadas para a criança e o adolescente vão ao encontro das estratégias de governo da presidente do Brasil, Dilma Rousseff. “Os estados brasileiros estão se organizando para a realização de um seminário nacional no próximo ano para debater temas voltados para nossas crianças”, informou.

Durante as reuniões, Meneguelli propôs a realização de um seminário na cidade de Roma, a exemplo do que foi promovido em Portugal e na Espanha, em 2010, para discutir o Turismo Sexual e o Tráfico de Pessoas. A proposta foi aceita por todas as instituições. O embaixador brasileiro no país, José Viegas Filho, ao elogiar as iniciativas do Conselho Nacional do SESI no campo internacional, ofereceu apoio na convocação das autoridades do governo italiano, além de disponibilizar a sede da Embaixada Brasileira para a realização do evento.

Na Organização Internacional do Trabalho (OIT), o diretor do escritório em Roma, Luigi Cal, lembrou do sucesso obtido pelo Brasil no combate ao trabalho infantil, uma das frentes de atuação da organização. Cal se comprometeu em apoiar a mobilização das organizações de empregadores na luta contra a exploração sexual. “Iniciativas como esta são aliadas naturais ao nosso trabalho”, ressaltou. Cal salientou ainda que a articulação do SESI com os diversos países é importante para estimular a troca de experiências e disse ainda que a OIT se dispõe a promover uma reunião com todas as entidades interessadas para firmar um protocolo de intenções e um plano de trabalho.

Os sindicatos dos trabalhadores também se mostraram interessados em assumir as discussões sobre a exploração sexual de crianças e adolescentes. O Coordenador de Políticas Internacionais da FILCAMS/CGIL, Gabriele Guglielmi, se comprometeu a dar continuidade à parceria, realizando campanhas de sensibilização junto aos trabalhadores, contando com o apoio das confederações sindicais. “Podemos inicialmente realizar uma campanha informativa utilizando os instrumentos de comunicação internos”, garantiu.

Meneguelli destacou que nos próximos anos acontecerão no Brasil grandes eventos esportivos, a Copa do Mundo, em 2014, e as Olimpíadas de 2016. Para ele, o país deve realizar, desde já, campanhas que estimulem o turismo responsável e previnam a exploração sexual. “Nesse período chegarão muitos turistas ao Brasil. Portanto, precisamos nos preparar fortalecendo as ações de combate a esse crime que é praticado não somente por turistas estrangeiros, mas principalmente por brasileiros. Para isso, contamos também com o apoio das instituições internacionais”, afirmou.

Yasmin Abo Loha, representante na Itália da End Child Prostitution, Child Pornography and Trafficking of Children for Sexual Purposes – ECPAT, ONG encarregada pela ONU para acompanhar a implementação da lei sobre a prevenção contra a exploração sexual na Itália, se dispôs a apoiar a realização do seminário. “Também podemos articular com as ECPATs da Europa para participarem do evento”, afirmou. Loha mencionou que a organização fará uma campanha no Brasil durante a Copa do Mundo, a exemplo de trabalho já realizado na África do Sul. As outras organizações do Terceiro Setor visitadas, Terres des Hommes e a Associação Italiana de Turismo Responsável (AIRT), também se comprometeram a participar do seminário e a envolver as empresas de turismo do país em campanhas educativas sobre o tema.

Durante a semana de trabalho na Itália, a comissão realizou reuniões com 20 instituições: Confederazione Generale Italiana del Lavoro (CGIL), Confederazione Italiana Sindacati Lavoratori (CISL); Unione Italiana Del Lavoro (UIL); Federazione Italiana Lavoratori Commercio Turismo Servizi (FILCAMS/CGIL); Federazione Italiana Addetti Servizi Commerciali; Affini e del Turismo (FISACAST/CISL); Istituto Nazionale di Assistenza Sociale (INAS/CISL); Istituto Nazionale Confederale di Assistenza (INCA/CGIL); Istituto di tutela e Assistenza dei Lavoratiri (ITAL/UIL); CGIL da região da Lombardia; CGIL, CISL e UIL do Piemonte; Confindustria da região de Piemonte; Agência para a Cooperação da Cidade de Turim (ACEL); Embaixada do Brasil em Roma; Organização Internacional do Trabalho (OIT/Itália) e as organizações não governamentais Terres des Hommes; End Child Prostitution Pornography And Trafficking (ECPAT/Itália) e Associação Italiana de Turismo Responsável (AITR).

Fonte: Assessoria de Comunicação do Conselho Nacional do SESI

Comitê lança edital para o Prêmio Neide Castanha de Direitos Humanos

Estão abertas as inscrições para a segunda edição do Prêmio Neide Castanha de Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes. Os interessados podem se inscrever no período de 22 de dezembro de 2011 a 30 de março de 2012.

Podem concorrer ao Prêmio pessoas físicas ou jurídicas que têm contribuído com a causa da infância no Brasil, nas seguintes categorias: Boas Práticas; Produção de Conhecimento; Cidadania; Protagonismo de Crianças; e Adolescentes e Responsabilidade.

O edital e a ficha de inscrição estão disponíveis no site www.comitenacional.org.br. As inscrições devem ser encaminhadas para o e-mail premioneidecastanha@gmail.com.

O Prêmio será concedido aos vencedores durante a mobilização do Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, lembrado no dia 18 de maio.

Neide Castanha

O prêmio recebe o nome de uma das maiores expressões da luta pelos direitos de crianças e adolescentes no Brasil. Neide Castanha esteve presente na mobilização pelo Estatuto da Criança e Adolescente, na formulação do Plano Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, o que depois resultou na criação Comitê Nacional, no qual esteve a frente até a data de seu falecimento, em 2010. Neide também foi uma das fundadoras do Centro de Referência Estudos e Ações sobre Crianças e Adolescentes (Cecria). Por sua atuação, Neide recebeu diversas homenagens sendo a última, post mortem, o Prêmio de Direitos Humanos 2010, concedido pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.

Confira aqui o edital.

Fonte: Comitê Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes

PETROBRAS: Campanha sensibiliza trabalhadores de Petroquímico do Rio de Janeiro

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Na semana do dia 05 de dezembro aconteceram várias ações de sensibilização com os trabalhadores sobre a exploração sexual infantojuvenil na obra do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (COMPERJ).

O COMPERJ tem hoje cerca de 12 mil trabalhadores, distribuídos em consórcios e empresas responsáveis pela construção do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro.

 A Campanha de sensibilização com os trabalhadores e trabalhadoras, além de todos os profissionais que tem acesso a área desse empreendimento, teve como mote a proteção e o desenvolvimento saudável de crianças e adolescentes, o enfrentamento das violências praticadas contra este público, principalmente a exploração sexual infantojuvenil, as formas de denúncia e a importância do engajamento e responsabilidades de todos na luta contra esses tipos de violação dos direitos de crianças e adolescentes.

O contato com o trabalhador foi realizado por meio de “Diálogos Diários”, com o objetivo de criar, desenvolver e manter atitudes de prevenção na empresa por meio da conscientização de todos os empregados. Os diálogos são encontros rápidos com duração de 05 a 10 minutos, realizados diariamente ou sempre que necessário no local de trabalho para que sejam discutidos assuntos de relevância para o trabalhador e empresa.

Durante as falas expositivas, foram distribuídos materiais informativos e expostos em todos os sites, como cartazes, banners, balões (blimps), faixas e outdoors, além de anúncio em jornal local e outdoor na principal rua do município de Itaboraí (passagem para o COMPERJ).

Para a inclusão do tema “exploração sexual infantojuvenil” nos Diálogos contamos com a colaboração das áreas de responsabilidade social e comunicação dos consórcios e empresas participantes das oficinas realizadas pelo projeto Crescimento com Cidadania para Crianças e Adolescentes. São eles: Consórcio QGGI, Toshiba,Itaboraí HDT, SPE, Jetan, Alusa MPE, Fidens, Elcanso, IEAROM, IEINTEM, Itaboraí  URE.

A campanha foi temporariamente suspensa por conta da paralisação dos trabalhadores. Conforme acordado entre a Petrobras e a Associação Brasileira Terra dos Homens, em janeiro de 2012 a campanha será finalizada e deverá atingir todos os trabalhadores do empreendimento.

Fonte: Projeto Crescimento com Cidadania para Crianças e Adolescentes

Distribuidores de combustíveis aderem à luta contra exploração sexual de crianças e adolescentes

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Os distribuidores de combustíveis assinaram um termo de adesão à Campanha contra a Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes, quarta-feira (14), na sede da Confederação Nacional do Comércio.

 A secretária executiva do Comitê Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, Karina Figueiredo, esteve presente no ato. Na oportunidade ela falou da importância em se poder contar com o setor de combustíveis para a campanha, “este é um momento histórico em nossa luta, só vamos alcançar um país melhor se unirmos desenvolvimento à garantia de direitos de crianças e adolescentes”, afirma a secretária executiva.

 A ministra, Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos disse que a presidenta Dilma Roussef tem como meta um Brasil sem Miséria, mas com a proteção de crianças e adolescentes.

 O presidente da Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e Lubrificantes (Fecombustíveis), Paulo Miranda Soares, afirmou que existe uma capilaridade que garantirá o sucesso da campanha. Ao todo, segundo o presidente, são 34 sindicatos filiados com representatividade em todos os estados do país.

 Foto: Paulo Negreiros

Fonte: Comitê Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes

Wanderlino Nogueira é o ganhador da categoria ‘Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente’ no Prêmio Direitos Humanos

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A presidenta da República, Dilma Rousseff, e a ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), entregaram a premiação da 17ª edição do Prêmio Direitos Humanos aos contemplados de 2011, em cerimônia nesta sexta-feira (9), no Palácio do Planalto, em Brasília (DF). O Prêmio Direitos Humanos é a mais alta condecoração do Governo Brasileiro a pessoas e entidades que se destacaram na defesa, na promoção e no enfrentamento e combate às violações dos Direitos Humanos no país.

Os contemplados receberam um certificado assinado pela presidenta e um troféu do artista plástico, João Paulo Sirimarco Batista. O troféu em vidro recortado, é desenhado a partir de personagens que representam as categoria do Prêmio e as temáticas definidas e promovidas pela SDH/PR.

O Prêmio busca contemplar a universalidade dos Direitos Humanos em suas diversas frentes. A Comissão de Julgamento da 17ª Edição do Prêmio Direitos Humanos é presidida pela ministra Maria do Rosário e constituída por personalidades nacionais ou indivíduos com notórios serviços prestados à causa no Brasil.

Na categoria Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente, o condecorado este ano é Wanderlino Nogueira.

Procurador de Justiça aposentado do Ministério Público da Bahia e ativista pelos Direitos Humanos de crianças e adolescentes, Wanderlino Nogueira tem produzido vasto material bibliográfico para subsidiar as ações dos profissionais atuantes nesta área, na qual é reconhecido como um dos principais teóricos brasileiros. Sua influência foi decisiva para a implementação da Resolução Regulamentadora do Sistema de Garantias de Direitos Humanos das Crianças e Adolescentes. Através de sua participação nas redes nacionais e internacionais de defesa dos Direitos Humanos de crianças e adolescentes, tem contribuído para pautar o tema de forma inovadora, com base na participação social, no empoderamento de crianças e adolescentes, a partir da escuta e da garantia de participação.

 

Veja a relação completa dos ganhadores: http://www.direitoshumanos.gov.br/2011/12/06-dez-2011-cerimonia-de-entrega-do-premio-direitos-humanos-sera-nesta-sexta-feira-9-em-brasilia

E leia abaixo o texto do premiado Wanderlino Nogueira, ganhador da categoria ‘Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente’:

NISSO EU CREIO E POR ISSO LUTO… 
Na oportunidade em que minhas crenças e minhas lutas, no passado e no presente, justificaram a concessão, a mim, pela Presidência da República, do Prêmio Direitos Humanos 2011 – sinto-me na obrigação de dar conta, a todos e todas, das razões do meu pensar e agir, como razões dessa honrosa premiação, a meu ver:
1. Eu CREIO que nosso movimento pelos direitos da criança e do adolescente deve integrar um movimento maior pelos direitos humanos, como uma frente específica de luta no combate mais amplo; revisando nosso conteúdo conceitual e nossas estratégias; aprofundando parcerias e alianças com os que combatem pela plena realização dos direitos fundamentais, como direitos humanos positivados, de todos os cidadãos e cidadãs, com especial atenção para os que lutam pelos direitos humanos das classes trabalhadoras e dos vulnerabilizados em seus direitos, tais como, as mulheres, os afro-descendentes, os povos indígenas, os segmentos LGBTT, os sem-terra e sem-teto, os quilombolas, os ciganos, as populações do semi-árido nordestino e ribeirinhas do Amazonas, as pessoas com deficiência, os que vivem com o HIV, os que sofrem mentalmente (inclusive os adictos às drogas lícitas e ilícitas) etc. Ou seja, sempre trafegando do geral ao especial e do especial ao geral – sem pretensas “neutralidades axiológicas”,  reducionismos, corporativismos, personalismos, isolacionismos, falsas imparcialidades ou “políticas de clientela segmentada”.
1.A. Em função dessa crença, na década de 80, engajei-me, na Bahia e depois em nível nacional, na LUTA pelos direitos humanos de crianças e adolescentes; inicialmente, como professor em núcleo acadêmico de estudos e pesquisas (NUDIN – Fundação Faculdade de Direito da Bahia) e em seguida em um centro de defesa de direitos (CEDECA/BAHIA), que prestavam ambos assessoramento político e jurídico a movimentos populares na cidade de Salvador (Bahia), instrumentando algumas de suas expressões organizativas (movimentos de mulheres, de negros, de bases geográficas, de meninos-de-rua, por exemplo) para a autodefesa de direitos como “advogados-populares” e para a produção e aplicação de um “direito insurgente”, alternativo, com capacidade de incidir politicamente de relação ao direito estatal (leis etc.), através especialmente de seminários livres e de cursos de especialização (pós-graduação sentido lato). Nesse esforço de luta, nessas duas frentes de combate, priorizamos pioneiramente a promoção do direito à vida e dos direitos sexuais, no combate ao extermínio e ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes. E já entrando nos primeiros anos da década de 90, procuramos atingir outros meios acadêmicos e organizações do movimento social de mais Estados, com apoio do UNICEF e do CBIA (Ceará, Maranhão, Rio Grande do Sul, Pará, Tocantins, São Paulo, Sergipe, Rio Grande do Norte, por exemplo). Mais tarde, ainda na década de 90, por via de conseqüência, integrei, em nível nacional, a direção de uma frente ampla de articulação de entidades sociais (FÓRUM NACIONAL DCA, em Brasília), como seu secretário-nacional; promovendo ações de mobilização social e de incidência/advocacy, em favor da implementação da nova normativa nacional que se promulgava a época: o Estatuto da Criança e do Adolescente, como adequação da normativa nacional às normas superiores da Constituição Federal (1988) e da Convenção sobre os Direitos da Criança (1989/1990).
2. Eu CREIO que, quando se fala em direitos humanos, não se deve falar deles apenas em sua restrita dimensão jurídica como Direito dos Direitos Humanos (Direito Internacional Público e Direito Constitucional Especial, brasileiro), mas também na sua dimensão ético-sócio-política. Isto é, não só (a) buscando a eficácia jurídica dos princípios jurídicos dos direitos fundamentais infanto-adolescentes, através dos mecanismos de acesso à Justiça (Valor); mas também (b) buscando a efetividade político-institucional deles, através dos serviços, programas e ações das diversas políticas públicas institucionais, sociais, econômicas e infra-estruturantes. E assim CREIO igualmente e com primazia, que quando se buscar essa eficácia e efetividade dos direitos humanos fundamentais de todos os cidadãos e especialmente do cidadão-criança e do cidadão-adolescente, imprescindivelmente, que se o faça através das instâncias públicas (governamentais e não governamentais) de controle público – institucional, social e misto. Ou seja, através dos mecanismos estratégicos de acompanhamento, monitoramento, avaliação e correição das ações públicas, ditas “governamentais e não governamentais”.
2.A.  Em função dessa crença, LUTEI fortemente junto à Associação Nacional dos Centros de Defesa da Criança e do Adolescente (CEDECA Yves de Roussan, na Bahia e Centro D. Helder Câmara, em Pernambuco), junto ao Fórum Nacional DCA e ao próprio Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente – CONANDA e suas conferências nacionais (Resolução nº 113 e 2ª Conferencia Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente), no sentido de se institucionalizar, no país, através ato normativo, um “sistema de garantia dos direitos humanos de crianças e adolescentes”, interpretando por inferência determinados artigos do Estatuto multicitado, como forma de adequação dos nossos ordenamentos normativo e político-institucional, à sistemática da Convenção sobre os Direitos da Criança e do Sistema das Nações Unidas de Promoção e Proteção de Direitos Humanos.De se registrar que o esforço brasileiro de se institucionalizar esse sistema em nível local de certa forma influiu os países irmãos especialmente da América Latina a assim fazê-lo em seu novo re-ordenamento normativo e político-institucional. Nesse processo de inserção do nosso país na comunidade ibero-americana e africana, assumi forte compromisso de me colocar ao lado vários companheiros e várias companheiras do Brasil e de outros países da América Latina, do Caribe e da África, para assegurar laços mais aprofundados de organicidade, na luta pelos direitos humanos, pelo desenvolvimento humano auto-sustentado e pela democracia real.
3.Eu CREIO que a luta pela prevalência dos direitos humanos (gerais e especiais/geracionais), nas relações internas e internacionais do Brasil, muito depende de que essa nossa luta se faça aliada de outra luta gêmea siamesa, como aquela pelo reconhecimento de que o mero desenvolvimento econômico é muito restrito e insatisfatório, quando se trata da busca por um mundo melhor, mais livre e fraterno; fazendo-se necessário então que o desenvolvimento humano seja buscado de forma mais ampla, radical e auto-sustentável. Daí a necessidade de agregarmos nosso movimento pelos direitos humanos de crianças e adolescentes, às lutas por um novo modelo de desenvolvimento, que abranja as lutas pela terra e pela moradia, pelo meio ambiente, pelos direitos do consumidor, pela diversidade cultural regional e local, pelo direito à territorialização e livre re-territorialização, pelo direito ao corpo e à diversidade identitária sexual livremente buscada etc. Não há espaço para os direitos humanos se realizarem, num modelo econômico-social de dominação, exclusão, exploração e subalternização de grandes parcelas da população.
3.A. E em função dessa crença citada contribuí com a ANCED-DCI na formação da “coligação da sociedade civil brasileira”, no esforço para construirmos metodologia  própria para levantamento, análise e avaliação de dados e informações e para a elaboração do primeiro e do segundo relatórios alternativos da sociedade sobre a efetivação da Convenção sobre os Direitos da Criança; o primeiro apresentado em 2003/2004 ao Comitê para a Criança do Alto Comissariado para os Direitos Humanos da ONU(Genebra) e o segundo já divulgado internamente no Brasil, mas ainda a se apresentar às Nações Unidas logo depois da apresentação pelo governo federal do “relatório do país”. E nessa construção de novas alianças estratégicas e nessa elaboração de relatório – LUTEI com vários companheiros e companheiras (ANCED-DCI, FÓRUM NACIONAL DCA, ABMP, por exemplo) para que essa nossa coligação de entidades e movimentos sociais e esse processo de construção de relatórios à ONU e à OEA, ambos incluíssem novos atores e seus agentes, como os movimentos e entidades que atuam no Brasil na linha da defesa de direitos humanos de gênero, raça/cor, etnia, orientação sexual etc., assumindo muitas das bandeiras dessas organizações e movimentos; fazendo com que eles assumissem nossas bandeiras no campo dos direitos humanos geracionais.
4. Eu CREIO, em decorrência disso tudo, que a garantia, a promoção e a proteção/defesa dos direitos de crianças e adolescentes – através do acesso à Justiça com qualidade, do desenvolvimento de políticas públicas e do controle das ações do Estado e da Sociedade – só terá sentido se forem todas nossas reflexões e ações, balizadas como verdadeira práxis transformadora, pelos paradigmas ético-políticos dos direitos humanos e pelos princípios gerais jurídicos do Direito Constitucional brasileiro, (consagrados em nosso ordenamento jurídico positivo) e do Direito Internacional dos Direitos Humanos (tratados e outras normativas internacionais, acolhidos pelo Brasil). E assim sendo, nossa normativa jurídica e nosso ordenamento político-institucional obrigados ficaram a respeitar estritamente os paradigmas e os princípios da universalidade, da integralidade, da não discriminação, da prevalência do superior interesse da criança (e da prioridade absoluta na sua atenção direta pelo Estado), da participação proativa e propositiva das crianças e dos adolescentes (direitos de ser ouvido e considerado, de livre associação e religião, de livre expressão etc.), da responsabilização da família, da sociedade e do Estado em garantir o provimento das necessidades e desejos de crianças e adolescentes com a assunção de responsabilidades e cuidados pela sua sobrevivência e pelo seu progressivo desenvolvimento humano, promovido e protegido integralmente.
4.A. Em função dessa crença me engajei de último na LUTA, contra todas as formas de dominação adultocêntrica, todas as formas de proteção tutelar autoritária, higienista, repressivo-assistencialista, inconstitucional, numa retorno repudiável de alguns atores sociais e seus agentes públicos aos paradigmas e princípios do Código de Menores (ou mesmo de toda a legislação anterior mais castradora e autoritária editada à época da ditadura militar). Em função disso, tenho levantado determinadas bandeiras emergenciais e urgentes, com certas dificuldades, mas com o apoio valioso de corajosos companheiros e companheiras, da área governamental (com um destaco que aqui faço à Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República e sua Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente), da área não governamental (com destaque que igualmente faço à ANCED-DCI, ao Fórum Nacional DCA, ao Comitê de Combate à Exploração Sexual, ao Conselho Federal do Serviço Social, ao Conselho Federal de Psicologia, ao CECRIA, ao VIOLES, dentre outros) e por fim da área multinacional e internacional (agências, organismos e cooperação internacional). Essas bandeiras refletem nosso engajamento na luta contra as tentativas raivosas de fazerem prevalecer ações e pensamentos protetivos tutelares de natureza repressiva e assistencialista, em detrimento e contrariedade a todos os processos políticos, jurídicos e gestionários, de emancipação infanto-adolescente, com o empoderamento identitário desse segmento geracional e com a construção de capacidades/competências que os apóiem no processo de seu desenvolvimento progressivo integral. Os cuidados e responsabilidades do Estado, da sociedade e da família (ampliada e em novos arranjos) devem se harmonizar com a luta pela dignidade, igualdade, liberdade, diversidade e participação protagônica de crianças e adolescentes. Não existem contradições entre os dois pólos do cuidado/responsabilização e automização/participação, quando equilibrados como “proteção integral e emancipação em processo”. Em face disso, assumo com galhardia e convicção a luta emblematicamente contra as leis municipais e portarias judiciais que determinam inconstitucionais e ilegítimos “toques de recolher” e “operações de recolhimento”, por exemplo, emblemas maiores atualmente do retrocesso e do autoritarismo, em nível decididamente simplório e marqueteiro.
5. Por último, como compromisso mais importante, eu CREIO que só com um processo de radicalização na construção de uma democracia social real no Brasil, com a livre e efetiva participação popular na vida pública e o aperfeiçoamento do sistema representativo entre nós. Só nesse contexto é possível se radicalizar também a luta pela garantia dos direitos humanos de crianças e adolescente, nos termos postos acima.
Petrópolis, dezembro, 02, 2011.
Wanderlino Nogueira Neto
Procurador de Justiça (aposentado) do Ministério Público da Bahia e membro do CEDECA-RIO (ANCED-DCI/DNI)
FONTE: SDH/PR

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